Agendas guardam compromissos, mas não explicam por que algumas cenas atravessam décadas sem qualquer anotação. Em O retorno e terno, Rubem Alves relaciona memória e afeto: aquilo que ganha lugar no coração permanece porque foi amado, não porque alguém programou um aviso. A ideia também ilumina sua filosofia da educação.
Onde Rubem Alves escreveu a frase sobre memória?
O trecho é atribuído ao poema “Fazer nada”, publicado no livro O retorno e terno. A passagem prossegue com outra formulação conhecida do escritor: “O que a memória ama fica eterno”. As duas frases unem lembrança, afeto e passagem do tempo.
A citação completa está registrada em uma dissertação disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo. O trabalho acadêmico preserva a autoria de Rubem Alves, enquanto a referência bibliográfica da obra aponta para sua publicação pela Papirus.
Curiosidade transforma uma experiência educativa - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
A frase contrasta duas formas de lembrar. Ambas são importantes, mas funcionam por mecanismos e finalidades diferentes:
- a agenda registra aquilo que não pode depender da memória;
- o afeto seleciona experiências com significado pessoal;
- a repetição ajuda a fixar informações necessárias;
- o encantamento preserva detalhes sem esforço deliberado;
- a narrativa reorganiza lembranças ao longo do tempo.
Rubem Alves não está recomendando abandonar calendários ou anotações. Ele usa a agenda como contraste poético para mostrar que certas experiências permanecem porque alteraram profundamente quem as viveu.
O contraste entre registro e afeto ajuda a compreender a força dessa imagem. Também mostra por que lembranças emocionalmente importantes podem sobreviver quando datas e detalhes já desapareceram.
O que sustenta uma lembrança
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Registro externo
Datas e tarefas são preservadas por anotações e alertas.
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Valor afetivo
A experiência permanece ligada ao que importou profundamente.
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Encantamento
A atenção se abre para algo conhecido percebido de modo novo.
Fonte: O retorno e terno, Rubem Alves; registro acadêmico da Universidade de São Paulo
A brincadeira oferece uma forma concreta de encantamento e aprendizagem. Uma reflexão atribuída a Pablo Neruda aborda o que adultos perdem quando deixam completamente de brincar.
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O que o coração representa nessa reflexão?
O coração funciona como imagem daquilo que recebeu valor emocional. Não é uma explicação biológica da memória, mas uma forma poética de dizer que lembramos melhor quando uma experiência nos envolve. Um cheiro, uma voz ou uma música pode reabrir cenas que pareciam distantes.
Esse mecanismo também possui limites. Memórias afetivas não são gravações perfeitas e podem mudar cada vez que são recordadas. A força emocional favorece a permanência, mas não garante precisão absoluta sobre datas, palavras ou pequenos detalhes.
Uma fotografia reabre uma lembrança afetiva - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como o encantamento pode transformar a educação?
Rubem Alves criticava uma educação reduzida ao acúmulo de respostas. Para ele, ensinar também deveria despertar curiosidade e criar vontade de aprender. Uma informação conectada a perguntas, experiências e imagens significativas possui mais condições de permanecer.
Algumas práticas aproximam conteúdo e encantamento sem abandonar o rigor. Elas transformam o estudante em participante atento:
- começar uma aula com uma pergunta verdadeira;
- ligar o conceito a uma experiência observável;
- permitir tempo para formular hipóteses;
- usar histórias sem substituir evidências;
- retomar o conteúdo em situações diferentes.
O professor não controla quais lembranças durarão. Pode, porém, construir encontros nos quais o conhecimento deixa de parecer uma obrigação sem rosto. O encantamento surge quando o estudante percebe algo que antes estava diante dele, mas ainda não havia sido realmente visto.
Que lembrança merece ser visitada hoje?
A frase de Rubem Alves convida a olhar para aquilo que permaneceu sem alarme ou calendário. Essas lembranças revelam pessoas, lugares e aprendizados que receberam valor. Escolha uma delas e conte a história a alguém: compartilhar também é uma forma de impedir que o encantamento desapareça.
Khalil Gibran oferece outra imagem poética para pensar memória, vínculo e autonomia entre pais e filhos.
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