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Um ministro israelense anunciou neste domingo, 13, que pretende retirar a cidadania dos realizadores do documentário NAZA por “traição ao Estado”, após a obra dar voz a militares que acusam o Exército de Israel de realizar ataques contra civis palestinos na Faixa de Gaza.

Os jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor apresentam os depoimentos de 24 integrantes das forças israelenses, que descrevem como eram conduzidos bombardeios contra civis palestinos em Gaza com o auxílio de sistemas baseados em inteligência artificial.

NAZA recebeu no sábado, 12, o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Veneza.

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Rachel Szor e Yuval Abraham, diretores do documentário 'Naza', que foi premiado no Festival de Veneza Foto: Scott A Garfitt / AP Photo

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“Vou agir imediatamente para revogar a cidadania israelense desses desprezíveis criadores por traição ao Estado”, escreveu o ministro da Cultura israelense, Miki Zohar, no X. Ele acusou os cineastas de tentarem “prejudicar sua pátria para receber aplausos de antissemitas do mundo inteiro”.

A retirada da nacionalidade é legalmente possível em Israel, embora seja uma medida raramente aplicada. Em 2022, a Suprema Corte confirmou a possibilidade de o Estado remover a cidadania de pessoas consideradas desleais, como em casos de espionagem ou traição.

A legislação foi ampliada em 2023 para incluir também pessoas condenadas por “terrorismo”. Na prática, o processo exige solicitação do ministro do Interior, aprovação do ministro da Justiça e validação da Justiça israelense.

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Cena de 'NAZA', documentário dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor Foto: Venice Film Festival/Divulgação
O título do documentário, NAZA, refere-se ao eufemismo utilizado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número estimado de civis que provavelmente morrerão em um bombardeio.
O Exército israelense rejeitou “categoricamente” as acusações apresentadas no filme e criticou o uso de testemunhos anônimos, argumentando que a identidade dos denunciantes “não pode ser verificada”.
Os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza provocaram mais de 73 mil mortes de palestinos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
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A ofensiva israelense foi lançada após o ataque realizado por combatentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.221 mortos, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
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