Arrascaeta critica gramado: "Se queremos ser campeões, temos que ter um campo bom"

"O que será do gramado para o resto do ano?". Este foi o questionamento do zagueiro Léo Ortiz após a classificação do Flamengo às semifinais da Libertadores. Os jogadores reclamaram muito do estado do campo do Maracanã. Há perspectiva de melhora até dezembro? O ge explica.

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Depois do jogo do Flamengo contra o Bragantino no próximo domingo, o Maracanã ficará 17 dias sem partidas de futebol, em razão da Data Fifa. No entanto, o estádio vai sediar no dia 27 o confronto entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, pela NFL, a liga de futebol americano.
Existe a expectativa de que o jogo afete ainda mais o campo. Os responsáveis pelo estádio cogitam trocar o gramado inteiro depois da partida da NFL, mas a medida ainda está no terreno da hipótese. Entre esse confronto e a volta do futebol no estádio, dia 8 de outubro, com Fluminense x Coritiba, são 10 dias.
Atualmente, há dois campos plantados em uma fazenda em Saquarema, município do Rio de Janeiro, para fazer a troca, mas, com os dias de chuva no estado e a grama molhada, não é possível realizar a colheita da grama em rolos para levá-la ao Maracanã. Isso só será viável se houver dias seguidos sem chuva, para, assim, deixar o gramado seco e permitir a ação.
Flamengo encara o Independiente del Valle, pelo jogo de volta da Libertadores — Foto: Catharine Moreira
Se o clima continuar chuvoso e instável no estado do Rio de Janeiro durante a Data Fifa inteira, não haverá possibilidade de troca do gramado até o fim da temporada. A próxima pausa, em novembro, será de apenas nove dias.
Assim, a administração do Maracanã — feita pelo consórcio de Flamengo e Fluminense — toma medidas que dificilmente vão mudar o estado do campo nas atuais condições. A manutenção de rotina inclui programa agressivo de fertilização, ventiladores, as luzes mais modernas do mercado, entre outras iniciativas.
O consórcio atribui o péssimo estado do gramado a um somatório de volume anormal de chuva, temperatura acima da média para a época do ano e enorme quantidade de jogos, sendo boa parte deles em dias chuvosos. Todos esses fatores dificultam o processo de cuidado.
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Na última sexta-feira, o CEO do Maracanã, Fred Nantes, convocou uma entrevista coletiva, para dar sua versão dos motivos do desgaste do gramado depois de críticas de jogadores e comissões técnicas de Flamengo e Fluminense.
— Reconhecemos que não está na qualidade que a gente gostaria. Não dá para dizer diferente. A frustração é grande, mas a gente precisa fazer uma análise bastante criteriosa quando a gente critica. Sempre baseada em dados técnicos. Não há negligência com o gramado — disse Nantes na ocasião.
O gramado do Maracanã passará por uma importante mudança para 2027. O estádio usará a grama chamada de "Celebration Hydrid", que é considerada mais moderna do que a utilizada atualmente. Entre as características, destaca-se por ser mais resistente do que a atual, além de ser mais maleável para reformas e tratamentos. Atualmente, o estádio utiliza a "Bermuda Celebration".
A modificação do gramado vai ser iniciada imediatamente após o término do Brasileirão, em dezembro. A remoção do piso será feita totalmente depois da 38ª rodada, e o plantio da nova grama será iniciado no mesmo mês.
Jorginho em Flamengo x Del Valle, pela Libertadores — Foto: Agif
Flamengo é contra o sintético
O Flamengo é uma das principais vozes contra o gramado sintético. No ano passado, o clube protocolou uma proposta junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para melhoria e padronização dos gramados no país. Um dos pontos apresentados é o fim desse tipo de campo. Na zona mista após a partida, o zagueiro Léo Ortiz chegou a dizer que o estado do Maracanã dá motivo a quem defende o sintético.
— O gramado não tem a ver com o resultado do jogo, não serve como desculpa. A gente foi pior do que eles em todos os fatores do jogo - mental, físico, técnico e tático. Mas realmente o gramado está impraticável, está muito ruim. A gente sabe que vai entrar numa Data Fifa, mas o gramado não vai parar, vai ter NFL. O que será do gramado para o resto do ano? Espero que quem possa fazer alguma coisa, faça. Porque realmente está muito complicado de jogar, ainda mais um time que gosta de jogar com a bola como nós. Hoje nos ajudou, mas poderia ter atrapalhado. Não conseguimos jogar. Por isso que, em alguns momentos, as pessoas falam do sintético. Às vezes, tem que dar razão para elas. Com gramados como esse, motiva muito a ter o sintético. O maior dos culpados para ter gramados sintéticos no Brasil é o gramado natural desse jeito - afirmou Léo Ortiz.
O que mais disseram os jogadores
— A gente sabe que o time deles tem uma qualidade boa, mas não pode permitir que eles venham aqui jogar como aconteceu. Tem que se impor. Para isso, a gente precisa de um bom campo também. A gente vem sofrendo muito nesses últimos jogos, o campo está cada vez pior. Cada vez mais difícil controlar a bola. É tentar jogar rápido. Se quisermos ser campeões temos que procurar uma solução. Não pode permitir com o time que a gente tem ter um campo desse - disse Arrascaeta.
— Falar do campo não precisa, está na visão de todo mundo. Do jeito que a gente joga, é inacreditável estar com um campo assim. As duas áreas estão ruins para c... Se olhar, tem lombada para c... Ainda vai ter um jogo da NFL na parada [para a Data Fifa]. Depois desse jogo, espero que o campo fique melhor - criticou Rossi.
— Tivemos dificuldade, isso ficou claro. A gente estava querendo forçar muito o jogo por dentro durante o primeiro tempo. Até conversamos sobre isso no vestiário. Era justamente o que eles estavam esperando: ficavam fechados o tempo todo para a gente forçar esse passe e sair no contra-ataque. Sei que isso não é desculpa, mas o campo também acabou atrapalhando muito o nosso jogo, porque somos um time que gosta de jogar. Toda hora a bola vinha pipocando e acabou dificultando um pouco a nossa forma de jogar. Mas nos adaptamos durante a partida e conseguimos sair com a classificação, que era o mais importante - comentou Emerson Royal.
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