Iniciativa promove o bem-estar sem demonizar a tecnologia, exaltando os benefícios das atividades 'analógicas'; participantes escolhem tempo

24 set 2026 - 04h58

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- Por: Marcela Ferreira

Dia do Reset propõe atividades fora das telas, com toda a família

Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Qual é o máximo de tempo que você conseguiria ficar longe das telas --incluindo celular, computador, televisão e outras? No Dia do Reset, promovido pela Outward Bound Brasil (OBB) e patrocinado pela Vivo, a proposta é que pessoas se voluntariem para passar um tempo desconectadas, ou melhor, se conectando com elas mesmas e com os outros à moda antiga, sem notificações.

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A primeira edição brasileira acontece em 26 de setembro e faz parte de um movimento internacional criado pela Outward Bound. A ideia é simples: ficar algumas horas ou até um dia inteiro longe das telas e aproveitar o período para fazer atividades ao ar livre, encontrar amigos e familiares ou simplesmente fazer algo que ficou de lado na rotina. A participação é gratuita e cada pessoa decide a duração do próprio desafio.

A iniciativa não propõe abandonar a tecnologia, pelo contrário, os organizadores afirmam que o objetivo é discutir o equilíbrio entre o mundo digital e a vida fora das telas. “Não é um movimento contra a tecnologia. A gente sabe que a tecnologia é importante, a tecnologia é boa. É só uma oportunidade de repensar o equilíbrio”, explica Eduardo Becker, conselheiro da OBB.

Por que fazer um 'reset'?

Segundo Becker, a proposta surgiu depois da primeira edição do movimento nos Estados Unidos, realizada em janeiro deste ano. A iniciativa americana reuniu mais de 51 mil participantes, que se comprometeram com mais de 328 mil horas longe das telas em um único dia.

Sair com os amigos e ter conversas longas, sem celulares, é dica para passar o tempo fora das telas

Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

No Brasil, os organizadores dizem ter identificado uma preocupação comum entre diferentes gerações, que é o tempo excessivo diante das telas e a sensação de que o celular acaba consumindo mais tempo do que o planejado. “Você pega o celular e, de forma não intencional, vai para o Instagram. Quando viu, perdeu uma, duas, três horas”, afirma Becker.

Para Andreas Martin, diretor-executivo da OBB, a ideia é justamente recuperar a intencionalidade no uso da tecnologia. “A gente entende que o ponto de equilíbrio é o momento onde a tecnologia está a serviço do ser humano e não vice-versa”, diz.

Vale até cochilo

Não existe uma regra que determine quantas horas uma pessoa precisa ficar desconectada. A organização permite que cada participante escolha o próprio período, de algumas horas a 24 horas.

E sim: até dormir pode valer, desde que a escolha seja intencional. “É uma hora que eu vou tirar uma soneca de forma intencional longe das redes sociais e vou desligar tudo”, explica Becker.

Atividades físicas para fazer sozinho ou em grupo são recomendadas pela OBB para o Dia do Reset

Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Mas a proposta é ir além de simplesmente deixar o celular de lado e esperar o tempo passar. A ideia é ocupar esse período com experiências que normalmente acabam perdendo espaço para as telas.
Ler um livro, cozinhar com outras pessoas, jogar um jogo de tabuleiro, caminhar pelo bairro, praticar esportes, passear com o cachorro ou encontrar amigos estão entre as sugestões da organização. O site oficial também propõe atividades como meditação, voluntariado, passeios ao ar livre e clubes do livro.
'O ócio que a gente perdeu'
Para Becker, um dos problemas é que o celular acabou preenchendo os momentos de tédio, que antigamente eram mais comuns. “Eu acho que a gente perdeu um pouco o ócio, o fazer nada, o tédio que a gente tinha. Essa geração não tem mais esse tédio, porque pega o celular.”
A proposta, portanto, não é transformar o dia em uma competição para descobrir quem consegue ficar mais tempo offline. O objetivo é criar uma oportunidade para experimentar uma rotina diferente. Martin também destaca a importância dessa experiência para crianças e adolescentes, que já cresceram mais conectados aos dispositivos digitais do que os adultos.
A ideia é se dedicar às atividades analógicas com mais intenção, e não demonizar a tecnologia. Vale até fazer artesanato
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific
“Quando a gente fala de crianças e adolescentes, como é que a gente leva eles de volta para experiências reais e autênticas? O brincar em grupo, ali você já vai treinando certos aspectos que vão ser muito benéficos depois na vida adulta.”
Segundo ele, a campanha não pretende “demonizar” a tecnologia, mas estimular uma conversa sobre os hábitos digitais e seus impactos. “É dizer: 'Pessoal, chega, não está saudável, não está bom'. Vamos dialogar e vamos conversar o que faz mais sentido.”
Pais são maioria
O Dia do Reset está em sua primeira edição no Brasil. Dados preliminares das inscrições apontam que 78% estão na faixa dos 35 aos 54 anos, segundo os organizadores. A concentração chamou a atenção dos responsáveis pelo projeto porque inclui justamente muitos pais de crianças e adolescentes.
Ler um livro que você estava adiando, ou que não tinha tempo, pode ser boa atividade para o Dia do Reset
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific
Para Martin, isso pode indicar que a preocupação com o excesso de telas não está restrita aos jovens.
Como participar
O desafio pode ser feito individualmente ou em grupo. A pessoa escolhe quanto tempo quer ficar longe das telas e o que pretende fazer nesse período. Também é possível participar de atividades organizadas por parceiros.
A recomendação é planejar a experiência antes de começar: escolher o destino, combinar encontros e até levar dinheiro ou cartão físico caso o pagamento pelo celular seja um hábito.
No fim, a proposta cabe em uma pergunta simples: o que você faria se tivesse algumas horas a mais no dia porque decidiu não passar esse tempo olhando para uma tela?
O Dia do Reset acontece em 26 de setembro de 2026 e a participação é gratuita. Mais informações no site oficial.
Fonte: Portal Terra
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