Neila Guimarães

Aliados defendem reformulação dos programas sociais e dizem que candidato não pretende “morder a isca” de uma disputa sobre auxílio

Neila Guimarães

18/09/2026 13:34, atualizado 18/09/2026 13:36

Reprodução/YouTube @flaviobolsonaro
O anúncio do reajuste de 15,04% do Bolsa Família pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (17/9), a 17 dias do primeiro turno, colocou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) diante de um tema considerado sensível eleitoralmente: como reagir ao aumento sem abrir espaço para que o candidato seja associado à redução de benefícios sociais.
O decreto assinado por Lula eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passará de R$ 675 para R$ 777. A nova tabela começa a valer nos pagamentos de outubro, a partir do dia 19.
Nos bastidores, a orientação da campanha de Flávio é evitar uma reação que permita ao adversário enquadrar o candidato como contrário ao Bolsa Família. A avaliação de aliados é que o debate deve ser deslocado do tamanho do benefício para a forma como os programas sociais serão conduzidos em um eventual governo do senador.
O senador criticou nesta quinta-feira (17), a dimensão do reajuste de 15% dado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Bolsa Família. Segundo o senador, trata-se de uma “merreca”, um ato de “desespero” do petista e uma tentativa de compra de votos.
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“Lula, é esta cartada que você tem? Dar 15% de reajuste no Bolsa Família? Só isso? Essa merreca? Não tem vergonha na cara? Está achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 para o pobre? Acha que R$ 90 dará vida melhor para pobre? Deixa de ser cara de pau, Lula. Está dando migalha, miséria para quem recebe Bolsa Família”, declarou, durante transmissão semanal em seu canal no YouTube.
A aposta é reformular, não cortar
A linha defendida por integrantes da campanha é manter os programas de transferência de renda, mas associá-los a políticas capazes de ampliar a autonomia econômica das famílias beneficiárias.
A ideia é que o Bolsa Família deixe de ser tratado apenas como uma transferência permanente de renda e passe a ser integrado a iniciativas de qualificação profissional, emprego, educação e geração de oportunidades.
Nos argumentos apresentados à campanha, há quem defenda inclusive a possibilidade de um benefício maior do que o anunciado pelo governo Lula, desde que acompanhado de uma revisão de outras despesas públicas. Um dos exemplos citados internamente é um eventual reajuste de 20%, condicionado à redução de desperdícios, despesas consideradas ineficientes e gastos com a máquina pública.
O problema é o tamanho da conta
O debate ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas. Em sua consulta mais recente sobre o Brasil, o FMI projeta que a dívida bruta do governo geral chegue a 100% do PIB em 2027, depois de 97,8% em 2026. A projeção considera uma definição de dívida diferente da utilizada pelas autoridades brasileiras.
É nesse ponto que a campanha de Flávio pretende concentrar parte do discurso econômico: o questionamento não seria sobre a existência do Bolsa Família, mas sobre como financiar políticas sociais de forma sustentável diante do crescimento das despesas e da dívida.
Corrupção entra no radar eleitoral
Outro argumento que ganhou espaço nas discussões internas da campanha é a avaliação de que o debate eleitoral deverá incorporar com mais força o tema da corrupção.
Aliados de Flávio sustentam que problemas como saúde, educação, segurança e equilíbrio fiscal precisam ser discutidos também sob a ótica da eficiência e da aplicação dos recursos públicos. A campanha pretende associar essa discussão à promessa de combate a desvios, revisão de gastos e redução de despesas consideradas improdutivas.
A orientação é outra: reconhecer a importância da assistência social, defender a manutenção do atendimento aos mais pobres e concentrar a crítica na gestão das contas públicas e no desenho de longo prazo dos programas.

