Mirelle Pinheiro

Nesta terça-feira (22/9), foram presos dois policiais militares, um deles enquanto estava no trabalho, e um policial civil com MBA

Letícia Guedes, Mirelle Pinheiro
22/09/2026 08:45
PCERJ/Divulgação
Além de capturarem Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o “Boss”, investigadores da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) prenderam, nesta terça-feira (22/9), dois policiais militares e um policial civil com MBA durante a Operação Icarus.
A coluna apurou que os três foram presos no Rio de Janeiro (RJ) e são suspeitos de envolvimento nos canais de fornecimento de drogas e na movimentação de R$ 70,49 milhões do Comando Vermelho (CV).
A ação policial cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até a mais recente atualização desta matéria, seis pessoas haviam sido presas.
De acordo com o Ministério Público do RJ (MPRJ) e a Polícia Civil, o grupo investigado era responsável pelo transporte de toneladas de drogas de São Paulo (SP) para o RJ e utilizava empresas de transporte e logística como fachada para enviar as cargas ilícitas em meio a mercadorias regulares.
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A investigação também identificou uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. A análise de dezenas de comunicações sobre operações financeiras atípicas envolvendo alguns dos denunciados e estabelecimentos comerciais apontou movimentações superiores a R$ 70 milhões.
Conforme apontado pelo MPRJ, empresas registradas em nome de laranjas eram utilizadas para lavar o dinheiro obtido com a atividade criminosa.
O papel de “Boss”
Segundo a investigação, Boss negociava cargas de drogas, organizava fretes e pagamentos e coordenava criminosos responsáveis pela logística do esquema. A polícia também afirma que “laranjas” eram utilizadas para movimentar dinheiro do tráfico.
A investigação chegou a Boss a partir de documentos apreendidos com Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho.
Entre as anotações, os policiais encontraram registros da contabilidade do tráfico que indicavam pagamentos feitos por My Thor a uma pessoa identificada como “Boss”.
As diligências identificaram uma divisão de funções entre fornecedores, operadores logísticos, transportadores e responsáveis pela cobrança e pelo recolhimento de dinheiro.
Apreensões
Duas grandes apreensões foram relacionadas pela investigação à estrutura. Em fevereiro de 2024, 715,7 quilos de cocaína e maconha foram encontrados em Guarulhos (SP).
Três meses depois, outros 73,8 quilos de cocaína foram apreendidos em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio. Juntas, as duas apreensões somam 789,5 quilos de drogas.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a investigação indicam que as cargas faziam parte da mesma dinâmica de transporte interestadual de entorpecentes.
Empresas dos setores de transporte e logística também teriam sido utilizadas para ocultar e viabilizar o envio das drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Os denunciados
Entre os denunciados que, segundo as investigações, recebiam as drogas de forma recorrente no Rio de Janeiro para posterior redistribuição estão Pedro Henrique Mesquita da Silva, o “Tiquinho”; Thiago Claudio Duarte Chagas, o “Cabeça”; Matheus Eduardo Tentempo Lima, o “Dourado”; Anderson Santanna da Silva, o “Gão”; Anderson Adriano de Oliveira, o “Dnort”; e Bruno de Lemo Garcia, o “Bruninho”. Os denunciados Alsuece Alves de Assis, o “Sussu”, e Simone Alexandrino atuavam como laranjas.
Além da condenação pelos crimes de associação para o tráfico e lavagem de capitais, o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GaesfqMPRJ) requereu o confisco de bens e a perda alargada do patrimônio dos denunciados.


