Mirelle Pinheiro

A nova fase também alcançou Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá

Mirelle Pinheiro
24/09/2026 08:38, atualizado 24/09/2026 08:39
Divulgação/Receita Federal
Um dos alvos da nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24/9), já estava no radar de outra investigação de grande repercussão, o caso Banco Master. Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, operou repasses de Daniel Vorcaro que chegaram ao fundo usado para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações e fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A empresa aparece nas apurações da Polícia Federal sobre o caminho percorrido pelo dinheiro de Vorcaro até o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.
A PF identificou cerca de US$ 12 milhões em transferências feitas pela Entre ao Havengate. Freixo afirmou que as operações foram realizadas a pedido de Vorcaro. O fundo administrava recursos destinados a Dark Horse e realizou pagamentos à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
Agora, Freixo aparece em outra frente de investigação. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apura como uma rede de fundos, empresas e contas bancárias teria sido usada para lavar dinheiro e viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.
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Na investigação sobre a Terrana, o MPSP identificou mais de R$ 120 milhões circulando por diferentes empresas e contas usadas como passagem antes de os recursos chegarem à estrutura montada para a aquisição da distribuidora.
Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings e Branson Holdings. Segundo os investigadores, algumas das companhias foram abertas poucos meses antes da compra da Terrana.
O MPSP sustenta que a estrutura serviu primeiro para esconder o controle de uma empresa do setor sucroalcooleiro e, depois, para viabilizar a aquisição da distribuidora sem revelar quem estava efetivamente por trás do negócio.
A investigação aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como líderes da organização investigada.
A nova fase também alcançou Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. O MPSP investiga a participação de integrantes do mercado financeiro na montagem e funcionamento da estrutura usada nas operações.
Os investigadores chegaram aos novos alvos a partir do cruzamento de relatórios do Coaf, movimentações bancárias, documentos financeiros e mensagens retiradas de celulares apreendidos nas etapas anteriores da Carbono Oculto. Parte das conversas, segundo o MPSP, indica o uso de laranjas para esconder os verdadeiros controladores de empresas e ativos.

